quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sarney desiste da eleição, mas diz que seguirá na política



A notícia da desistência da candidatura do ex-presidente da República, José Sarney, ao cargo de senador, causou certo frisson na classe política maranhense. Muitos aliados lamentam profundamente a notícia, mas defendem que o político tem o direito merecido ao descanso, já que possui quase sessenta anos dedicados à vida pública.

O senador José Sarney (PMDB) disse nesta terça-feira (24) que tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o PT insistiram para que ele se candidatasse. Em entrevista ao programa Luiz Melo Entrevista, da rádio Diário FM de Macapá, Sarney disse "não ter dúvidas" de que contaria com o apoio da presidente caso decidisse continuar na vida pública. "A presidente Dilma insistiu muito comigo para que continuasse, para que eu fosse candidato, foi muito enfática nesse sentido. Ela procurou o presidente do PT para falar nesse sentido", disse Sarney.

Senador pelo Amapá, Sarney disse que a decisão de se aposentar e não concorrer à reeleição, anunciada formalmente ontem a aliados deveu-se exclusivamente à sua idade e à condição de saúde dele e da esposa. "Não teve outra, nenhuma interferência se não essa. Ficar cumprindo pela metade minhas obrigações não é do meu feitio", disse, ao lembrar problemas de saúde que o levaram a se ausentar no Senado no ano passado e lembrando também que sua mulher passou por três cirurgias.

Sarney ressaltou que não decidiu pela aposentadoria por falta de capital político ou por medo de perder as eleições em outubro. "Tenho pesquisas na minha mão que me dão uma situação muito confortável, uma delas com 50,6% de preferência do eleitorado, portanto não tenho nenhuma dúvida de que não tem problema nenhum de eleição. O problema é que realmente com 84 anos, com a minha idade, a minha mulher doente, precisando do meu apoio principalmente agora, neste momento que nós estamos já bastante idosos, eu não posso deixar de ter presente esse fato."

O senador citou o seu "prestígio" em âmbito nacional e mencionou seu papel na Presidência, que ocupou de 1985 a 1990, quando "ajudou o país" no momento da transição democrática. "Tenho o meu prestígio e não deixo de ter até eu morrer", disse Sarney durante a entrevista.

Ele afirmou ainda que, mesmo afastado da vida pública, pretende se colocar "a serviço" do Amapá, Estado que disse estar em seu coração e no qual conquistou "carinho" e "respeito" dos eleitores. "Todo prestígio que tenho e parcela de liderança nacional vai ser colocada a serviço do Amapá como sempre foi", afirmou. Sarney citou ainda avanços do Estado, ao longo de seu mandato como senador, em especial em obras de infraestrutura.

O senador João Alberto, presidente do PMDB maranhense, disse que esse pensamento já vinha sendo alimentado por Sarney há algum tempo e que essa decisão tinha sido retardada em função de alguns amigos que haviam solicitado isso ao senador. O presidente do PMDB maranhense lamentou profundamente a notícia recebida e disse que, se confirmada, será uma grande perda para o país a saída de José Sarney do cenário político. “O Brasil perde na política o seu melhor nome. A ausência de José Sarney será chorada no Maranhão por muito tempo. É uma lacuna muito grande. Fico consternado”, declarou.

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